quarta-feira, 23 de maio de 2012

Documentário sobre o Cérebro Humano


Esse excelente vídeo retirado do youtube fala sobre o cérebro humano e o seu funcionamento.

Não deixe de assistir!!!!   






Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Anorexia e Obesidade


Anorexia é definida como um transtorno alimentar que afeta principalmente adolescentes e mulheres jovens, caracterizada pelo medo patológico de engordar, é um distúrbio grave e potencialmente ameaçador para a vida. A pessoa possui uma distorção da imagem corporal e um medo irracional de se tornar obesa, com isso ela tenta deliberadamente perder peso e muitas vezes ignoram os sinais de fome e controlam seu desejo de comer com dieta excessiva. 

Um estudo recentemente publicado pela Universidade de Medicina do Colorado revela que os circuitos de recompensa no cérebro estão sensibilizados em mulheres com anorexia e insensíveis em mulheres obesas. 

Essa pesquisa contou com a participação de 63 mulheres obesas ou anoréxicas e os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) para analisar a atividade cerebral e comparar com mulheres com peso “normal”. 

Os autores descobriram que, durante essas sessões de ressonância magnética, uma solução com sabor doce resultou na ativação neural aumentada no sistema cerebral de recompensa em pessoas anoréxicas e ativação diminuída em indivíduos obesos, evidenciando que os circuitos de recompensa do cérebro são mais sensíveis a estímulos alimentares na anorexia, e menos sensível em obesas. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências


Fonte: Guido K W Frank, Jeremy R Reynolds, Megan E Shott, Leah Jappe, Tony T Yang, Jason R Tregellas, Randall C O'Reilly. Anorexia Nervosa and Obesity are Associated with Opposite Brain Reward Response.Neuropsychopharmacology, 2012.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Programa para auxiliar crianças com dislexia



A Dislexia é uma dificuldade específica no aprendizado da linguagem. É um transtorno neurofuncional que tem causas genéticas e é hereditário. Pode ocorrer em crianças saudáveis, inteligentes, com estímulos sócioculturais adequados e sem problemas de ordem sensorial ou emocional.

Post sobre Dislexia: Clique Aqui

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, é importante realizar o diagnóstico da dislexia "o mais cedo possível, para amenizar ou evitar um comprometimento social e emocional do indivíduo ao longo da sua vida, e, ainda, minimizando os aspectos da dificuldade de aprendizagem".

A boa notícia para pais, professores e profissionais que convivem e atuam com a Dislexia é uma novo programa de computador que auxilia o desempenho de crianças com dislexia nas habilidades de leitura e escrita.

O software foi desenvolvido na tese de doutorado da fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado Azoni, pesquisadora do laboratório de Distúrbios de Aprendizagem e Transtornos da Atenção (Disapre), da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp sob o título de “Programa de remediação fonológica, de leitura e escrita em crianças com dislexia do desenvolvimento".

Participaram da pesquisa 62 crianças, sendo: 17 crianças com dislexia submetidas ao programa de remediação, 14 crianças com dislexia que não passaram por intervenção e 31 crianças sem diagnóstico que compunham o grupo controle. O programa de remediação foi realizado em 20 sessões. Os resultados da pesquisa mostraram melhora no tempo de nomeação automática rápida, na consciência fonológica, na velocidade de leitura e habilidades de escrita.

Segundo a autora da tese,  o programa tem atividades na qual podem ser utilizadas palavras do contexto-cultural da criança e afirma ainda que há possibilidade de serem desenvolvidas versões do programa para pedagogos e professores,e do programa ser disponibilizado na internet.

Vejam a notícia completa no Jornal da Unicamp: Clique Aqui.
Essa notícia também foi publicada na Folha: Clique Aqui.

É ou não é uma ótima notícia!!?


Ficou curioso?? Quer mais informações sobre o dislexia e o tratamento para dislexia??
Entre em contato conosco: neuroniosnodiva@gmail.com



Fonte: Associação Brasileira de Dislexia e Jornal da Unicamp.




Daniela Tsubota Roque
daniela.tsubota@gmail.com



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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mielomeningocele

Atendendo a pedidos, vamos falar um pouco sobre a Mielomeningocele. Mielomeningocele é uma doença congênita, que ocorre durante o primeiro mês de gestação (geralmente a mulher ainda não sabe que está grávida). Durante a gestação os dois lados da espinha dorsal do feto se unem para cobrir a medula espinhal, os nervos espinhais e as meninges. Mas, algumas vezes pode ocorrer um defeito nesse fechamento e ele acontecer de forma incompleta. 

A causa dessa doença ainda é desconhecida. No entanto, sabe-se que os baixos níveis de ácido fólico no organismo da mulher antes e durante a gestação podem estar relacionados com essa patologia. A vitamina ácido fólico tem um papel fundamental no processo de multiplicação celular e no desenvolvimento do cérebro e da medula espinha, portanto, imprescindível durante a gravidez.

O diagnóstico pode ser feito através da ultrassonografia e de uma maneira geral, o defeito pode ser identificado a partir da décima sétima semana de gestação. A correção cirúrgica, pode ocorrer até mesmo ainda no ventre materno, porém, essa correção não impede que a criança venha a apresentar sequelas. 

A malformação pode ocorrem em qualquer nível da coluna vertebral, e com isso diferentes graus de comprometimentos são observados. Os sintomas incluem: • Perda do controle da bexiga ou intestino; • Parcial ou completa falta de sensação; • Parcial ou completa paralisia das pernas; • Fraqueza dos quadris, pernas ou pés; • Pés anormais, como pé torto; • Acumulação de líquido dentro do crânio (hidrocefalia), entre outros.

Além desses sintomas, a hidrocefalia também é bastante comum e podem ocasionar deficiência intelectual, déficit nas funções executivas e visuoespaciais. E muito importante o reconhecimento desses problemas o mais precoce possível para que um programa de estimulação (reabilitação cognitiva) seja traçado de acordo com as necessidades da criança. Assim, quando a criança chegar à idade adulta terá condições de levar uma vida normal apesar de possuir algumas sequelas físicas.

Uma outra coisa muito importante é a psicoterapia. Essa patologia tem um efeito psicológico profundo nas crianças e em seus familiares (geralmente sofrem de depressão, ansiedade e estresse constantes). A psicoterapia permite que pacientes e familiares aprendam a lidar melhor com a doença, compreendendo seus limites e sintomas.  Alem de promover mudanças de estratégias frente aos problemas enfrentados e contribuir para melhora na qualidade de vida. 



Ficou curioso, com dúvida ou quer mais informações sobre esse tema? 
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Rosani Ap. Antunes Teixeira
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terça-feira, 20 de março de 2012

Dislexia

A palavra Dislexia vem do grego, “Dis” significa dificuldade e “lexis”, linguagem. As crianças com dislexias geralmente são identificadas nas salas de aulas por terem dificuldades na leitura, escrita e soletração. 

Algumas crianças disléxicas podem fazer confusões entre letras ou palavras que tenham diferenças sutis de grafia, como por exemplo o "h-n" ou "b-d"/"d-p"/"d-p".  

Os disléxicos geralmente são muito inteligentes e falam muito bem, por isso, muitas vezes são erroneamente rotulados de preguiçosos, descuidados ou imaturos. 

E muito importante ficar atento!!! 
A criança disléxica pode desenvolver comportamentos antissociais e agressivos, devido as frustrações causadas pelas suas dificuldades. 

Um diagnóstico preciso é importantíssimo! Recomenda-se que o diagnóstico seja feito por uma equipe multidisciplinar especializada (psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e neurologista) não somente para se obter o diagnóstico, mas principalmente para garantir melhores práticas em termos de planejamento do tratamento e cuidado para a criança, levando em consideração todos os aspectos relevantes e fatores que exercem impacto sobre o atendimento e a qualidade de vida.

Se seu filho(a) tem uma "aprendizagem diferente" ou uma "dificuldade para aprender", lembre-se que com a informação correta e com ajuda especializada o potencial do seu filho pode ser desenvolvido!!!


Rosani Ap. Antunes Teixeira
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quinta-feira, 8 de março de 2012

Bom Humor

Você sabia que com pequenas mudanças na forma como você lida com as situações do seu dia a dia pode acarretar em inúmeros benefícios para sua vida?! 

Se você é uma pessoa de bem com a vida, que encara as situações com bom humor e otimismo: Parabéns!!! 

Mas, se você é do tipo que se queixa que não vai bem nos negócios - que não têm dinheiro - que não têm sorte - que desde ao amanhecer até a hora de deitar reclama que está tudo muito difícil. Melhor mudar sua atitude! 

Pesquisas mostram que se você enfrentar a vida com bom humor e riso, estará fortalecendo o seu sistema imunológico, aumentando sua energia, diminuindo a dor, e ainda se protegendo dos efeitos nocivos do estresse. 

Além disso, uma nova pesquisa da University of Manchester and London School of Economics and Political Science (LSE), também demostrou que pequenas mudanças positivas na personalidade podem levar a um aumento significativo de felicidade. 

Então, não perca tempo! Comece a mudança agora mesmo! 

  • Se você trabalha com computador, procure coloca um protetor de tela engraçado, que faça você sorrir e se sentir mais animado. 
  • Coloque na sua mesa de trabalho uma foto sua com sua família ou amigos se divertindo. 
  • Procure viver o momento, pois não adianta nada pensar, viver ou sofrer pelo que já passou ou passar o tempo todo planejando o futuro que ainda está por vir. 
  • Evite situações que representem risco ao seu bom humor. 
  • Faça coisas simples e que proporcionem prazer. 
  • Aprenda a não valorizar o que não tem valor - evite gastar energia e tempo com pequenos aborrecimentos do dia-a dia. 
  • Cumprimente as pessoas com um sorriso. 
  • Ria de si mesma – principalmente quando coisas inesperadas acontecerem! 
  • Seja realista e sempre mantenha a real perspectiva da sua vida. 
  • Procure fazer o que gosta, ao lado de pessoas especiais e que te farão bem sempre. 


Fonte:
Christopher J. Boyce, Alex M. Wood, Nattavudh Powdthavee. Is Personality Fixed? Personality Changes as Much as “Variable” Economic Factors and More Strongly Predicts Changes to Life Satisfaction. Social Indicators Research, 2012; DOI: 10.1007/s11205-012-0006-z


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

quinta-feira, 1 de março de 2012

TRAÍDOS PELO TOM DE VOZ

Em um estudo publicado na revista Evolutionary Psychology, os pesquisadores examinaram a ligação entre o tom de voz, a infidelidade e a escolha do parceiro. 

Os participantes desse estudo ouviram duas versões de clipes gravados a partir de uma vozes masculinas e vozes femininas, que foram manipuladas eletronicamente para ter maior e menor intensidade. Os participante deveriam escolher qual a voz mais atraente, com a maior probabilidade de traí-los para viver um romance. 

Os pesquisadores descobriram que homens e mulheres usam o tom da voz como um sinal de futuras traições, ou seja, uma mulher com tom de voz mais intenso e um homem com tom de voz mais fraco são interpretados como “possibilidade de infidelidade futura”. 

Segundo os pesquisadores isso acontece porque os homens com níveis mais elevados de testosterona têm vozes agudas mais baixas, e mulheres com níveis mais altos de estrogênio têm vozes mais agudas e altos níveis desses hormônios estão geralmente associados ao comportamento adúltero. 

Isso sugere que através do processo evolutivo, nós aprendemos maneiras de evitar os parceiros que podem ser infiel, já que a infidelidade causa um impacto emocional importante, altos custos financeiros e perda da unidade familiar. 


Fonte: 
Jillian J.M. O'Connor, Daniel E. R. and David R. Feinberg.Voice Pitch Influences Perceptions of Sexual Infidelity. Evolutionary Psychology, 2011. 9(1): 64-78


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Perda de Memória em Idosos

Um novo estudo publicado na edição impressa de 03 de janeiro de 2012, da revista Neurology®, o jornal médico da Academia Americana de Neurologia mostra novas pistas a respeito de porque alguns idosos podem estar perdendo a memória. 

A novidade desse estudo é que ele examina pequenos derrames cerebrais (silent strokes) e a diminuição do hipocampo que é uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória. 

Esse estudo contou com a participação de 658 idosos acima de 65 anos de idade e sem indícios de demência. Foram feitas ressonâncias magnéticas e avaliações neuropsicológicas para avaliar a memória, linguagem, velocidade de processamento de informação e percepção visual. 

O estudo constatou que 174 idosos tiveram pequeninas manchas no cérebro (pequenos derrames) que representam mortes de células cerebrais. Esse resultado foi comparado com o desempenho nas avaliações neuropsicológicas e mostrou que esses idosos também apresentavam piores resultado em testes de memória do que aqueles sem esses pequenos derrames.

Esse resultado levou os pesquisadores a concluir que pequenos derrames associado a menor volume do hipocampo parece estar associado com essa perda de memória. 




Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) versus Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Uma nova pesquisa da Universidade de Montreal publicada no American Journal of Psychiatry em novembro de 2011 mostra que a falta de atenção, ao invés da hiperatividade, é o indicador mais importante quando se trata de aprendizagem e desempenho escolar. 

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após coletar dados com pais e professores de 2.000 crianças durante um período de quase vinte anos.

Os problemas atencionais observados foram: incapacidade de concentração, distração, ou uma tendência para desistir;
E os hiperativos foram:  agitação, correria, ficar contorcendo-se o tempo todo e inquietude. 

E o resultado dessa pesquisa apontou que apenas 29% das crianças com problemas de atenção (TDA) terminaram o ensino médio em comparação com 89% das crianças que não manifestam problemas atencionais. Ao avaliar crianças hiperativas, verificou-se que a diferença foi menor: 40% versus 77%, indicando que um número maior de crianças com hiperatividade conseguiu terminar os estudos. 

Sabemos que muitas vezes no sistema escolar, as crianças com dificuldades de atenção são muitas vezes esquecidos, deixados de lado, porque, ao contrário de crianças hiperativas, não perturbam os professores e os amiguinhos de classe. 


Fonte:
J.-B. Pingault, R. E. Tremblay, F. Vitaro, R. Carbonneau, C. Genolini, B. Falissard, S. M. Cote. Childhood Trajectories of Inattention and Hyperactivity and Prediction of Educational Attainment in Early Adulthood: A 16-Year Longitudinal Population-Based Study. American Journal of Psychiatry, 2011; DOI:10.1176/appi.ajp.2011.10121732.


Rosani Aparecida Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Rejuvenescimento e Regeneração no envelhecimento do Sistema Nervoso Central

Não é novidade que à medida que envelhecemos a habilidade de nossos corpos para se regenerar diminui. Isto não se aplica somente a nossa pele, mas também a outros tecidos e órgãos do corpo, incluindo o cérebro. 

Isso é especialmente impactante em doenças como a ESCLEROSE MÚLTIPLA. Em posts anteriores, já mostrei para vocês que na esclerose múltipla, as camadas de isolamento que protegem as fibras nervosas no cérebro, conhecida como bainha de mielina, são danificadas. Essa perda de mielina impede que as fibras nervosas enviem sinais nervosos (informações) corretamente para o restante do sistema nervoso central.

No entanto, no início da doença (quando a pessoa ainda é jovem), processos de regenerações, ou remielinizações, ocorrem com frequência e as bainhas de mielina são geralmente restauradas. Infelizmente, com o avanço da idade esse processo diminui significativamente, e como resultado desse processo ocorre a perda definitiva dessas fibras. 

A boa notícia e que recentemente, foi publicado um novo estudo com ratos que mostra que o declínio associado ao aumento da idade na regeneração (remielinização) da bainha de mielina, é reversível, quando ratos idosos estão expostos às células inflamatórias (monócitos) de ratos mais jovens, o processo de remielinização de envelhecimento  pode ser revertida.


Fonte:
Julia M. Ruckh, Jing-Wei Zhao, Jennifer L. Shadrach, Peter van Wijngaarden, Tata Nageswara Rao, Amy J. Wagers, Robin J.M. Franklin. Rejuvenation of Regeneration in the Aging Central Nervous System. Cell Stem Cell, 2012; 10 (1): 96 DOI: 10.1016/j.stem.2011.11.019

Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Brinquedo desenvolvido para crianças AUTISTAS ganha concurso internacional!


Em 2011, no concurso internacional promovido pela Japan Industrial Design Promotion Organization, que acolhe projetos de produtos, design de comunicação e desenvolvimento de design em diversas áreas, o Chicago Athenaeum Museum of Architecture e Design recebeu o prêmio na categoria de produtos infantis com o brinquedo “Build-a-Robot”.

Build-a-robot é projetado especificamente para crianças autistas e tem como principal objetivo ajudar as crianças a identificar as principais emoções e aprender a se comunicar através delas, e ainda, desenvolver habilidades motoras e divertir. 

A principal característica desse brinquedo são as quatro cabeças intercambiáveis, cada uma com uma forma geométrica diferente e representa um rosto com as quatro emoções básicas: alegria, surpresa, raiva e tristeza. As crianças ao interagir com o brinquedo desenvolve sua coordenação motora e ao trocar as cabeças, receberá estimulação tátil e auditiva, pois o brinquedo faz barulho enquanto as cabeças são trocadas e todas as cabeças possuem diferentes texturas dependendo do tipo de expressão facial.






Com essas características, esse brinquedo se torna atraente para todas as crianças, não só para as autistas!!!
Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Soluções criativas para as "tentativas de fuga" de pacientes com Alzheimer

Os pacientes com Alzheimer, muitas vezes experimentam momentos de confusão, desorientação e pânico. Isso acaba se transformando em uma necessidade incontrolável de ir para casa.

Imagine-se estando em lugar que você não conhece, com pessoas com que você nunca viu e não sabendo o que está acontecendo... o que você mais vai querer é ir para um lugar familiar onde você se sinta confortável, certo!? É isso que acontece com os pacientes com Alzheimer, e o resultado é que esses pacientes escapam da casa de familiares ou mesmo da própria casa (muitas vezes, a casa que eles lembram é a casa onde viveram a infância, as memórias mais antigas são as últimas a serem perdidas), de clínicas ou de hospitais e ficam vagando pelas ruas, sem a menor noção de quem são, para onde e como vão. Um problema muito sério e preocupante!

A solução até pouco tempo atrás era a óbvia: trancar o paciente ou então drogá-lo com tranquilizantes e sedativos, soluções que além de serem cruéis também acaba agravando ainda mais o estado de pânico do paciente. 

Pensando nesse problema, olha que interessente a solução encontrada por um Hospital Alemão: eles criaram um ponto de ônibus falso em frente ao prédio hospital !!!

(Ah! Essa notícia nos encontramos no Blog Update or Die e foi publicada pela arquiteto Fabrício Teixeira. Link para a notícia: clique aqui).

Bom, você está perdido, quer ir para casa e tem um ponto de ônibus no seu caminho. Possivelmente você vai para o ponto de ônibus aguardar um ônibus passar. A diferença é que nesse ponto nenhum ônibus vai passar, o que dá tempo para os profissionais e cuidadores encontrar e acalmar o paciente. Em certos casos, os paciente em pânico com urgência de ir para casa, são levados por uma enfermeira ou outro profissional até esse ponto de ônibus e enquanto “espera” o ônibus, o profissional vai acalmando o paciente que acaba aceitando voltar ao hospital.

É uma idéia bem criativa não acham??

Uma forma de lidar com essas situações em casa, quando o paciente com Alzheimer teima em "ir para a casa" (só que ele já está em casa), é dar uma volta com paciente "para levá-lo para sua casa".

Vamos usar os sintomas do Alzheimer a favor do paciente.

Nessa "volta", procure acalmar o paciente e quando voltar de fato para a casa, vá dando dicas para o paciente, mostrando que ele está em casa. Então, aponte coisas familiares da casa para que ele possa ir reconhecendo, mostre a árvore que tem na frente de casa que ele sempre cuidava, o quadro na parede que ele gosta, o sofá que ele costuma ficar sentado, etc.

Com um pouco de criatividade e paciência é possível lidar com esses problemas de forma mais tranquila.

E você tem algum solução criativa para essas situações?? Já usou alguma ???

Compartilhe conosco!!
neuroniosnodiva@gmail.com


Daniela Tsubota Roque e  Rosani Ap. Antunes Teixeira

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências
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sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Nós, da equipe Neurônios no Divã, desejamos a cada um de vocês um Feliz Natal, repleto de momentos especiais com muito amor, paz e felicidades... Desejamos também que 2012 seja um ano muito recompensador, próspero,  cheio de saúde e sabedoria.

Gostaríamos de agradecer a você por fazer parte da família “Neurônios no divã”.

E que em 2012, você se sinta ainda mais à vontade para nos enviar e-mails com suas perguntas, dúvidas e sugestões, afinal de contas, o blog “Neurônios no Divã é e sempre será destinado a VOCÊ!!!

Feliz Natal!! Feliz 2012!!!!





Equipe Neurônios no Divã
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

[Reabilitação] Reabilitação da Atenção

Hoje falaremos sobre a Reabilitação da Atenção.

Existem diversos modelos para explicar a atenção, mas aqui descreveremos apenas o modelo clínico, que é mais utilizado para a reabilitação.

Temos basicamente cinco componentes da atenção:
  • Atenção focada – resposta a um estímulo (ex: girar a cabeça  quando ouvimos nosso nome);
  • Atenção mantida ou sustentada –  habilidade de manter a atenção continuamente durante toda a duração de uma atividade (ficar focado até o termino da tarefa);
  •  Atenção seletiva – habilidade de manter a atenção fixa, ignorando outros estímulos (ex: ficar atento a uma conversa mesmo que a TV esteja ligada);
  •  Atenção alternada – habilidade de mudar o foco da atenção e fazer duas coisas praticamente ao mesmo tempo (ex: prestar atenção ao professor e tomar nota dos pontos principais);
  • Atenção dividida – habilidade de responder simultaneamente a duas tarefas (ex: falar ao telefone e digitar no computador ao mesmo tempo).
Obviamente, a reabilitação vai passar pela avaliação neuropsicológica da atenção, que irá identificar qual componente da atenção está alterado e qual o nível. A partir desses resultados, vamos eleger a melhor técnica para reabilitar o componente atencional, que podem ser: treinamento da sustentação da atenção, treino com estímulos distratores, etc. Contudo a escolha da técnica depende do componente atencional que se quer reabilitar.

Alguns exemplos de técnicas:
  • Prejuízo na atenção mantida ou sustentada – podemos utilizar a técnica do treinamento da atenção: exercícios onde o paciente ouça determinados parágrafos e depois diga o que entendeu.
  • Prejuízo na atenção seletiva – podemos utilizar a técnica de dispositivos externos: exercícios onde o paciente faça uma redação e tenha que ignorar um ruído externo ou a TV.
  • Prejuízo na atenção alternada – podemos utilizar a técnica do treinamento da atenção: exercícios onde o paciente começe a escrever os números na ordem crescente e depois na ordem decrescente.
  • Prejuízo na atenção dividida – podemos utilizar a técnica de treinamento da atenção: com exercícios onde o paciente começe a fazer uma leitura e ao mesmo tempo procure palavras relacionadas com “café da manhã”.
O trabalho de reabilitação também incluí a utilização de estratégias e suportes ambientais, ou ainda, dispositivos externo (bips, pagers ou celular). Essas estratégias envolvem manipulação do ambiente do indivíduo de modo a facilitar ou promover as metas estabelecidas. Uma estratégia fundamental, por exemplo, para ajudar as crianças a prestar atenção na lição é modificar seu ambiente de estudos para diminuir as distrações, tirar brinquedos da mesa de estudo e diminuir o número objetos restringindo-os aos necessários à lição. Essa estratégia também é muito útil com os adultos.

A pedido dos leitores do Blog, iremos disponibilizar uma pequena apostila com exemplos de exercícios para estimular a atenção.

Link para apostila: Clique Aqui


Ficou curioso, com dúvida ou quer mais informações sobre a Reabilitação da Atenção? Entre em contato conosco: neuroniosnodiva@gmail.com



Daniela Tsubota Roque
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

[Reabilitação] A Reabilitação

Continuando nossa série de posts sobre a Reabilitação, hoje vamos falar da Reab, como costuma ser conhecida.

A Reabilitação Congitiva / Neuropsicológica é um processo terapêutico que visa estimular, recuperar ou melhorar as funções cognitivas de crianças, adolescentes, adultos e idosos que apresentam déficits cognitivos. Na reabilitação, as sessões são estruturadas atráves de um plano de tratamento com atividades personalizadas, as funções com prejuízo serão estimuladas, compensadas ou adequadas.

A partir dos dados da avaliação neuropsicológica, será desenvolvido um Programa de Reabilitação que consiste em uma série de prática de intervenções terapêuticas e envolvem:
  • Treinamento de tarefas;
  • Treinamento direto com técnicas e exercícios específicos;
  • Orientação familiar e escolar (caso necessário);
  • Manipulação ambiental e/ou escolar;
  • Psicoterapia.
O objetivo principal da reabilitação não é somente melhorar e compensar habilidades cognitivas visando um ganho funcional, mas também minimizar o impacto pessoal, emocional e social da lesão cerebral / alteração cognitiva garantindo assim melhor qualidade de vida para o paciente e seus familiares.


O trabalho de Reabilitação Cognitiva / Neuropsicológica deve ser conduzido  por um psicólogo especializado em neuropsicologia, que irá compreender o paciente como um indivíduo, em seus aspectos cognitivos, emocional e social.

Com isso, a Reabilitação também tem como objetivo a compreensão da nova realidade funcional do indivíduo por ele mesmo, pela família e pela sociedade; auxiliando-o a lidar com as mudanças em seu cérebro e comportamento em diversos contextos sociais. Além de estabelecer compromissos de mudanças e trabalho realistas, promovendo um ambiente de esperança, com metas que possam ser alcançadas.

Quer saber mais sobre Reabilitação Cognitiva / Neuropsicológica ???
Entre em contato conosco: neuroniosnodiva@gmail.com

Próximo post: Reabilitação da Atenção!!! Não Perca!!!!!!!


Daniela Tsubota Roquedaniela.tsubota@gmail.com


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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

[Reabilitação] A avaliação neuropsicológica

Estamos iniciando uma série de posts sobre Reabilitação Cognitiva ou Reabilitação Neuropsicológica. Nosso intuito é comentar sobre os principais pontos do tema e sugerir atividades e exercícios.

Então, vamos começar falando da primeira etapa de qualquer processo de Reabilitação: a Avaliação Neuropsicológica.

A avaliação neuropsicológica é um processo complexo que integra diversas informações a fim de desenvolver uma compreensão sobre as habilidades cognitivas, relações cérebro-comportamento, habilidades sociais e funcionamento da personalidade de um indivíduo.

A entrevista clínica é o primeiro passo e fornece uma visão geral sobre o indivíduo e o seu contexto de vida. São colhidos dados referentes à história pessoal e familiar, informações relacionadas ao desenvolvimento acadêmico e profissional, além de informações sobre o desenvolvimento psicomotor, desenvolvimento da fala, problemas com a puberdade, problemas associados ao envelhecimento e o histórico médico.

A partir dessas informações, o neuropsicólogo monta uma bateria de testes específica para cada pessoa. Em conjunto, os dados da entrevista e os resultados dos testes neuropsicológicos fornecem subsídios para a compreensão da dinâmica cognitiva do indivíduo, revelando as potencialidades e os potenciais a serem desenvolvidos, permitindo ao neuropsicólogo traçar um programa de reabilitação cognitiva / neuropsicológica.

Avaliação neuropsicológica é indicada quando se suspeita de:
  • Condição neurológica (autismo, hidrocefalia, meningite, tumores cerebrais, paralisia cerebral, TDAH, Síndrome de Down etc);
  • Sequela cognitiva decorrente de traumas, acidente vascular cerebral, infecção etc;
  • Dificuldades de aprendizagem e escolares;
  • Dificuldades de memória e atenção;
A avaliação neuropsicológica permite um diagnóstico detalhado das funções cognitvas e é o ponto de partida para o planejamento de intervenções psicológicas, neurológicas e acadêmicas.

Deseja mais informações sobre Avaliação Neuropsicológica?
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Rosani Ap. Antunes Teixeira
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Alzheimer - Novas pesquisas

Nova Técnica de ressonância magnética para diagnosticar ou excluir a doença de Alzheimer.

No tecido cerebral, o fluxo sanguíneo é intimamente ligado ao consumo de glicose, que é o combustível que o cérebro usa para funcionar. Assim quando uma pessoa tem um aumento ou uma diminuição na sua função cerebral, o fluxo sanguíneo e o metabolismo da glicose também acompanham essas mudança. 

Assim, os pesquisadores criaram uma nova técnica de exame de imagem. Eles projetaram o “ASL-MRI” que permite quantificar o fluxo sanguíneo cerebral usando um escâner de ressonância magnética de rotina. 

Hoje, quando um paciente tem suspeita da doença de Alzheimer, o médico geralmente solicita uma ressonância magnética para procurar mudanças estruturais. 

No futuro, esse novo equipamento será incorporado à ressonância magnética e será capaz de capturar informações funcionais (fluxo sanguíneo e metabolismo da glicose). Assim você teria no mesmo teste informações estruturais e funcionais. Com isso, o diagnóstico de Alzheimer seria feito mais precocemente e de maneira muito mais rápida e segura.


Fonte:
Erik S. Musiek, Yufen Chen, Marc Korczykowski, Babak Saboury, Patricia M. Martinez, Janet S. Reddin, Abass Alavi, Daniel Y. Kimberg, David A. Wolk, Per Julin, Andrew B. Newberg, Steven E. Arnold, John A. Detre. Direct comparison of fluorodeoxyglucose positron emission tomography and arterial spin labeling magnetic resonance imaging in Alzheimer’s disease. Alzheimer's and Dementia, 2011; DOI: 10.1016/j.jalz.2011.06.003

Y. Chen, D. A. Wolk, J. S. Reddin, M. Korczykowski, P. M. Martinez, E. S. Musiek, A. B. Newberg, P. Julin, S. E. Arnold, J. H. Greenberg, J. A. Detre. Voxel-level comparison of arterial spin-labeled perfusion MRI and FDG-PET in Alzheimer disease. Neurology, 2011; DOI: 10.1212/WNL.0b013e31823a0ef7

Rosani Ap. Antunes Teixeira
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Esclerose Múltipla – Novas pesquisas (Novo medicamento)

Uma nova droga chamada Ocrelizumab tem se mostrado promissora para o tratamento de pessoas com esclerose múltipla, uma doença crônica autoimune que afeta um número crescente de pessoas, geralmente adultos jovens, e é mais comum em mulheres.
- Para saber mais sobre a doença  -  veja:
http://neuroniosnodiva.blogspot.com/2011/06/video-esclerose-multipla.html

Em um estudo com 220 pacientes com esclerose multipla do tipo remitente-recorrente, os pesquisadores aplicaram injeções do anticorpo monoclonal Ocrelizumab no primeiro grupo, o segundo grupo recebeu a droga padrão interferon-beta, e o grupo "controle" recebeu placebo.

Os pesquisadores avaliaram a eficácia de cada tratamento, realizando ressonância magnética para verificar o número de marcas visíveis que indicam lesões inflamatórias e também compararam a frequência de “surtos” ocorridos durante 24 semanas.

Os resultados demostraram que os pacientes que receberam a nova droga, no geral, mostraram menos sinais da doença do que os pacientes que recebem o tratamento com interferon-beta tradicional. O estudo constatou ainda que a droga Ocrelizumab reduziu em 89% as formação de lesões, além de reduzir o número de novos “surtos” ao longo dessas 24 semanas. O próximo passo agora é verificar o efeito da droga a longo prazo e se o perfil de segurança positiva será sustentável ao longo do tempo.

Fonte:
Ludwig Kappos, David Li, Peter A Calabresi, Paul O'Connor, Amit Bar-Or, Frederik Barkhof, Ming Yin, David Leppert, Robert Glanzman, Jeroen Tinbergen, Stephen L. Hauser. Ocrelizumab in relapsing-remitting multiple sclerosis: a phase 2, randomised, placebo-controlled, multicentre trial. The Lancet, 2011; DOI: 10.1016/S0140-6736(11)61649-8.

Rosani Aparecida Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Autismo e Insensibilidade Social

A preocupação com a nossa reputação afeta a forma como nos comportamos em situações sociais. Muitas de nossas ações são influenciadas pelo fato de podermos ser vistos e avaliados por outras pessoas. Assim, a reputação pode ser um aspecto bastante importante para a vida em sociedade. 

Distúrbios do espectro autista são uma classe de transtornos de neurodesenvolvimento com uma incidência estimada perto de 1%, e caracterizado em parte por deficiências profundas das interações sociais. As dificuldades sociais encontradas por pessoas autistas são especialmente notáveis em autistas de alto funcionamento e muitas vezes é o único componente incapacitante na vida diária. 

Em uma pesquisa recente publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas analisaram 21 indivíduos sendo 10 autistas e 11 controles, que tinham que fazer doações em dinheiro para a UNICEF sob duas condições: - 1ª em uma sala sozinho;  - 2º em uma sala junto com um observador.

Os pesquisadores verificaram que os controles doaram mais na presença do observador enquanto os autistas não. Esses resultados indicam que os indivíduos autistas têm uma dificuldade específica para levar em consideração a sua reputação aos olhos dos outros, ou seja, para eles a reputação não funciona como um incentivo para o comportamento social. 

Nós estamos o tempo todo pensando sobre o que as outras pessoas pensam de nós, certo? Os indivíduos autistas não.
Parece ser essa, a grande diferença!!!

Fonte:
K. Izuma, K. Matsumoto, C. F. Camerer, R. Adolphs.Insensitivity to social reputation in autism. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2011; DOI:10.1073/pnas.1107038108

Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

terça-feira, 8 de novembro de 2011

MEDOS NA INFÂNCIA

É muito comum crianças possuírem medos específicos, como por exemplo: medos do escuro, de certos animais, de sangue, de altura, etc. Os medos na infância nem sempre são comuns a todas as crianças e um mesmo estímulo podem ser ameaçador para uma criança e não ter nenhum efeito para outra. 

Como a criança adquiriu o medo? 
Os medos geralmente são adquiridos de três formas diferentes. 

a) O medo pode ser adquirido pelo sentimento de insegura e ansiedade frente a uma determinada situação (por exemplo: altura); 

b) Pode ser adquirido também após evidenciar pessoas com medo da mesma situação (por exemplo: ver pessoas com medo de altura); 

c) Pode ser adquirido após saber que alguém encontra-se hospitalizado após cair de uma determinada altura por exemplo. 

O que é interessante, é que a maioria dos medos infantis é devida a transmissão de informações negativas, como por exemplo: “não chegue perto do gato, ele pode arranhar” ou ainda “desça já, você pode cair e se machucar”, etc. E isso é muito ruim para as crianças, pois em muitos casos esses medos podem interferir em seu desenvolvimento normal. 

Vamos ver um exemplo: Vamos supor que certo dia alguns pais assistem ao noticiário na televisão e veem que uma determinada criança foi hospitalizada após ter sido mordido por cachorro. A partir desse momento, mesmo sem se dar conta, esses pais passam essa informação negativa aos filhos. - “Não chegue perto de cachorros, ele mordem” - “Vamos sair do parque, tem um cachorro solto”

Possivelmente essa criança vai começar a desenvolver medo de cães, o que certamente irá lhe roubar importantes oportunidades (como por exemplo, deixa de ir à casa do amiguinho de escola porque o garoto possui em cãozinho). 

Um estudo conduzido pelo pesquisador Morris e colaboradores investigou se o medo desapareceria se as crianças fossem submetidas a informações a respeito do objeto do medo. Eles avaliaram 62 crianças com idades entre 9 e 13 anos que foram expostas a informações negativas e desenvolveram medo de um determinado personagem animal. 

As crianças foram divididas em três grupos: 
a) Um grupo recebeu informações positivas referente ao medo; 
b) O outro recebeu imagens positivas referente ao objeto do medo; 
c) O terceiro grupo não recebeu absolutamente nada. 

O resultado dessa pesquisa revelou que as crianças dos dois primeiros grupos, passaram a não ter mais tanto medo e que passar informações positivas parece ser a maneira mais adequada de corrigir os medos adquiridos verbalmente. 

Esses resultados são bastante interessantes, principalmente porque demonstra que a informação positiva, que é parte integrante parte da maioria dos programas de psicoterapia, representa uma estratégia viável para reduzir o medo, principalmente quando esse medo foi induzido por meio de informações negativas. 


Fonte:
Peter Muris*, Jorg Huijding, Birgit Mayer, Wendy van As, Sharon van Alem - Reduction of verbally learned fear in children: A comparison between positive information, imagery, and a control condition - J. Behav. Ther. & Exp. Psychiat. 42 (2010) 139:144. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O papel da brincadeira no desenvolvimento cognitivo.

 As brincadeiras e jogos nos primeiros anos de vida de criança requerem habilidades para transformar objetos e ações, mesmo que simbolicamente. Ao fazer isso, a criança desenvolve habilidades de planejamento de ações, de negociações, de resolver problemas e principalmente de direcionar ações para atingir metas. 

Isso leva ao desenvolvimento de representações mentais que é importante para as habilidades acadêmicas, como: leitura, compreensão, uso de símbolos matemáticos e outras habilidades acadêmicas. E não é só isso! Quando a criança brinca, se utiliza muito da fala: forma frases simples, utiliza substantivos e verbos, nomeia figuras, usa os pronomes “eu” e “você”, elabora pensamentos simples, reproduzir pequenas sequencias de fatos e/ou histórias. E essa habilidade desenvolvida através dos jogos e muito importante para a alfabetização.

Quando se brinca com jogos de regras, por exemplo, as crianças acabam por desenvolver a compreensão do todo e noções de seguir e executar regras previamente determinadas, e essas, são habilidades necessárias para o sucesso escolar. Outro fator bastante positivo é o convívio social desencadeado pelos jogos. Crianças sem um convívio social adequado podem desenvolver no futuro: ansiedade social, solidão, depressão e baixo autoestima e problemas escolares.

Existe uma série de evidências que apontam uma correlação entre as competências cognitivas e as brincadeiras de boa qualidade. Portanto, se a criança não tiver oportunidades de brincar e jogar adequadamente, sua capacidade relacionada com a resolução de problemas, habilidades sociais e desempenho acadêmico, pode ser diminuída, pois essas habilidades complexas, que envolvem diversas áreas do cérebro são mais susceptíveis a se desenvolver e prosperar em um ambiente rico e com brincadeiras de alta qualidade.

Fonte:
The Role of Pretend Play in Children's Cognitive Development
Doris Bergen - Miami University

Rosani Aparecida Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Neurônios no Divã

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rede social e estruturas cerebrais

Segundo pesquisadores do Instituto UCL de Neurociência Cognitiva e do Wellcome Trust Centre for Neuroimaging - Tamanho da rede social online reflete a estrutura cerebral. 

Esses pesquisadores estudaram tomografias do cérebro de 125 estudantes universitários - todos usuários ativos do Facebook - e comparou seus achados com o tamanho de sua rede social online. 

Eles descobriram uma forte ligação entre o número de amigos no Facebook e a quantidade de massa cinzenta em várias regiões do cérebro, incluindo a região da amígdala, que é uma região relacionada às respostas emocionais. 

Outra região do cérebro com forte ligação entre o número de amigos no Facebook é o córtex entorrinal direito que está relacionada a formação da memória associativa como memória para nomes e rostos. 

Esses achados apoiam a teoria de que as maiorias dos usuários de Internet utilizam serviços online de redes sociais para manter, reforçar ou solidificar suas relações existentes offline.

Mas esse estudo não pode determinar se a relação entre a estrutura cerebral e participação na rede social surge ao longo do tempo através da aquisição de novas amizade ou, se os indivíduos com uma estrutura cerebral específica estão mais predispostos a adquirir mais amigos do que outros. 

Fonte:
R. Kanai, B. Bahrami, R. Roylance, G. Rees. Online social network size is reflected in human brain structure. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 2011; DOI: 10.1098/rspb.2011.1959

Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

terça-feira, 11 de outubro de 2011

TDAH e atividades ao ar livre

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é o distúrbio mais comumente diagnosticado em crianças, caracterizando-se por desatenção, dificuldades de concentração, hiperatividade e pouco controle sobre os impulsos. E está frequentemente associado a notas baixas, dificuldades de leitura, dificuldade em matemática, maiores taxas de repetência, baixos índices de graduação, baixa interação social, conflitos constantes com família e colegas, frequentes rejeições e pouquíssimas amizade.

Em um estudo recente, Andrea Faber Taylor e seus colaboradores analisaram 421 crianças com diagnóstico de TDAH e verificaram que aquelas crianças que tem como rotina jogar e brincar em ambientes ao ar livre e com bastante verde possuem sintomas mais leves de TDAH quando comparado com crianças que brincam e jogam dentro de casas ou ambientes fechados.

Evidências anteriores sugerem que as exposições a prática de atividades ao ar livre teriam como resultado uma redução imediata nos sintomas além de ser bastante eficaz a curto e longo prazo.

Além disso, as evidências levam a crer na possibilidade de que crianças com TDAH, pode se beneficiar dessas atividades como um complemento valioso para o seu tratamento. Sem contar que as atividades ao ar livre são relativamente fácil, barata e facilmente acessível para a maioria das famílias.

E segundo os autores, devemos considerar a obtenção de exposição a prática de atividades e jogos ao ar livre como uma opção viável no kit de ferramentas de tratamentos para crianças com TDAH, dada sua comprovada eficácia e praticabilidade.

Fonte:
Andrea Faber Taylor, Frances E. Ming Kuo. Could Exposure to Everyday Green Spaces Help Treat ADHD? Evidence from Children's Play Settings. Applied Psychology: Health and Well-Being, 2011; 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Jogos de videogame melhoram a percepção e cognição?

Nós sabemos que os jogadores de videogames sempre superam os não jogadores, mas será mesmo que as práticas de jogos aumentam as habilidades de percepção e cognição? 

As evidência sugerem uma forte relação entre a experiência de jogo e outras habilidades cognitivas, mas deficiências metodológicas ainda não nos deixam conhecer a verdade. 

Walter R. Boot, Daniel P. Blakely e Daniel J. Simons do departamento de psicologia da Universidade de Florida - USA discutem esses dados em seu novo artigo “Do action video games improve perception and cognition? Na revista Frontiers in Psychology, 2011. 

Um dos princípios fundamentais da aprendizagem é que o desempenho melhora com a prática. E interessante verificar que isso ocorre quando os participantes são treinados em tarefa cognitiva, geralmente seu desempenho é muito melhor na segunda vez. No entanto, em estudos com treinamento de jogos de vídeo verificam-se que os grupos controles não melhoram seu desempenho quando repete as mesmas tarefas após o treinamento. 

E em estudos comparativos entre jogadores e não jogadores onde se verifica um melhor desempenho dos jogadores quando comparado com os não jogadores, mas a diferença pode não ser causada pelo treinamento do jogo: as pessoas podem se tornar jogadores, porque possuem habilidades necessárias para se destacar nesses jogos, e não porque os jogos influenciaram nas habilidades. 

Os autores destacam ainda, que o jogo é uma grande promessa como uma técnica de treinamento para transferências de habilidades. E que estudos futuros poderão ajudar a definir a extensão dos possíveis benefícios dos jogos para a percepção e cognição. E o mais importante, tal teste podem ter implicações muito além da pesquisa e podem chegar até a ajudar os pesquisadores a desenvolver intervenções para tratar distúrbios de visão, distúrbios atencionais e minimizar os efeitos do envelhecimento cognitivo. 


Fonte:
Walter R. Boot, Daniel P. Blakely, Daniel J. Simons. Do Action Video Games Improve Perception and Cognition? Frontiers in Psychology, 2011; DOI:10.3389/fpsyg.2011.00226


Rosani Ap. Antunes Teixeira
Neurônios no Divã